segunda-feira, 7 de março de 2016

Museu de Arte Sacra

          No dia 26 de Fevereiro de 2016, estive no auditório do Museu de Arte sacra para assumir o compromisso de jovem pesquisadora do patrimônio cultural, juntamente com dezenas de outros jovens.
          O museu, está localizado na igreja de Santo Alexandre, na praça Frei Caetano Brandão no bairro da Cidade Velha em Belém/PA.


fonte: percorrendo belém


           A igreja de Santo Alexandre foi construída pelos jesuítas logo após sua chegada a Belém, a construção levou de 1698-1719 e chamava-se igreja de São Francisco Xavier.
          Após a expulsão dos jesuítas em 1759, o espaço passou a ser usado como palácio dos bispos da cidade e no século XX, depois de um longo período de abandono o prédio foi reformado e transformado no Museu de Arte Sacra do Pará. Que além da arquitetura, exibe também um rico acervo de pinturas e esculturas dos séculos XVII e XVIII da região amazônica.
         
            

sexta-feira, 4 de março de 2016

Da série museus: Espaço Cultural Casa das Onze Janelas.


        A função museológica do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas nasceu em 2002, quando abriu suas portas com a exposição “Traços e transições da Arte Contemporânea”. Apesar de sabermos que o prédio é histórico, muitos paraenses não sabem a origem ou ainda sua utilidade antes de tornar-se um museu de arte contemporânea.
Para começarmos, nossa breve (e espero que enriquecedora) explicação, o prédio que abriga a Casa das Onze Janelas foi inaugurado ainda no inicio do século XVIII, com a finalidade de servir como residência oficial de um rico proprietário de engenho, chamado Domingos da Costa Bacelar.
Fonte: Wikimapia.org

      No entanto, ainda na segunda metade do mesmo século a casa foi adequada pelo arquiteto italiano Antônio Landi para operar como Hospital Real Militar, e apesar de posteriormente o hospital ter sido desativado, o prédio ainda exerceu diversas outras funções militares, sendo por ultimo sede da 5ª Companhia de Guarda do Exército.
À época do golpe Civil-militar, em 1964, muitos presos políticos, considerados subversivos pelo regime, foram “trancafiados” lá, como foi o caso do professor João de Jesus Paes Loureiro, atualmente professor da Universidade Federal do Pará. Em entrevista em Maio de 2013 para o meu Trabalho de Conclusão de Curso, o professor relatou alguns detalhes dos dias que passou lá; dias marcados principalmente por torturas psicológicas, mas que foram superados pelo amor do poeta à Violeta, hoje sua esposa.
        Em poucas linhas percebemos como foram significativas as várias mudanças ao longo dos séculos enfrentadas por este espaço. E a ressignificação do espaço como museu foi de vital importância para a conservação da nossa memória, pois conseguiu promover o diálogo entre um prédio histórico e a arte contemporânea, agregando ainda o importante universo da fotografia, que em Belém já tem força consolidada não só região, mas também no país.
       Quando decidi escrever sobre a Casa das Onze Janelas foi levando em consideração que muitos amigos, que não são da área da História, desconhecem não só a memória deste espaço cultural, mas também de vários outros lugares que fazem parte da nossa história. E é para eles e muitos outros que desejam se familiarizar com a nossa história e nosso patrimônio, que nos propomos a compartilhar nossos conhecimentos, que serão distribuídos através das mais diversas áreas do conhecimento.
     Então? Tá esperando o quê pra conhecer esse lugar maravilhoso, rico em conhecimento e com aquela vista incrível para a baía do Guajará. Te convido a reservar uma tarde inteirinha para curti esse lugar. Você não vai se arrepender!

        Até a próxima ;)

Foto: Marilyn Nunes


Referências

MOKARZEL, Marisa. Três coleções do espaço cultural casa das onze janelas: Doação e editais no fortalecimento de um acervo. MUSEOLOGIA & INTERDISCIPLINARIDADE Vol.I1, nº4, maio/junho de 2013.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Patrimônio: a diversidade em debate

Foi com muita alegria e otimismo que os novos integrantes do grupo de diálogos e pesquisa em patrimônio cultural do DPHAC/SECULT foram recebidos no ultimo dia 26/02. O motivo é muito simples, diversidade. O grupo que era composto por historiadores em sua maioria, agora é composto por participantes de diversas áreas do conhecimento.

Estudantes do curso de Direito, Arquitetura, Turismo, formados ou ainda em fase de graduação compõem o grupo e trazem não apenas seus conhecimentos acadêmicos, mas sua experiência pessoal ao longo da vida. Mas afinal, o que de tão especial possui na diversidade do grupo de diálogos e pesquisa de patrimônio?

Com a dinâmica entre vários setores do saber envolvidos em uma proposta gera a interdisciplinaridade, logo, o diálogo se torna mais coeso, com possibilidades de expansão que não encontram barreiras e que apenas fortalecem não apenas os debates, mas as propostas que podemos entender como central na proposta: construção, valorização e divulgação do patrimônio histórico e cultural.

Sabe-se que a identidade de pertencimento ao patrimônio é construída, por meio do grupo os debates são gerados e está em nossa responsabilidade a divulgação das informações, da criação das bases que geram esse pertencimento e principalmente, pela construção que se dá além dos encontros e também dos centros universitários.


Dessa forma, com a diversidade no debate sobre o patrimônio cultural, é possível que nossa base se torne cada vez mais sólida e com grande alcance em meio à sociedade em geral. Assim como os frutos estão sendo plantados, o debate está lançado. 

Foto: Bruna Bastos

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Vem do bairro do Jurunas: Rancho




                                                                Foto: Danilo Nery


    A escola de samba "Rancho não posso me amofiná'', popularmente conhecida como “Rancho” é um marco inicial no Carnaval das Escolas de Samba de Belém, pois, é a primeira escola de samba da Cidade das Mangueiras, fundada em 1934, no bairro do Jurunas. Além disso, o Rancho no decorrer de sua trajetória já foi ponto de encontro para discussões políticas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) do qual o fundador da escola, Raimundo Manito, fazia parte.

    A Escola de Samba cujo atual presidente é o Sr. João Vidal, mais conhecido como Jango ou Jango Vidal, que mantem-se com seus esforços e a ajuda de parceiros os seus Projetos Sociais como dança, música e luta, que buscam desenvolver alguma habilidade em crianças e adolescentes que muitas vezes não tem ocupação e infelizmente chegam a desgraçar suas vidas por caminhos errôneos. A Escola contribui para que surjam mais oportunidades a eles. Isso mostra que o papel desempenhado não é apenas artístico-cultural, mas um papel social de suma importância.

    A outra pergunta foi feita pelo estudante, Danilo Nery: “- Presidente, O Rancho, por estar sempre em foco e ser uma das principais escolas de samba de Belém, a responsabilidade em mostrar um bom trabalho vem aumentando e vocês sentem esse peso?”; ele respondeu: “Evidente que nossa responsabilidade é grande e que a cada ano aumenta, mas nós estamos preparados e nos preparando pra isso, nos reunimos e conversamos pra sempre buscarmos o melhor [...].”.Devido ao foco em que a mídia dá e a importância da Escola de Samba em Belém, a responsabilidade que há, aumenta a cada ano, seus integrantes e diretoria a cada ano se esforçam mais para mostrar suas habilidades artísticas na avenida e isso colabora para que o Carnaval de Belém se torne mais atrativo para a população não só do Pará, mas para atrair pessoas da nossa região e das demais regiões do Brasil. Essa beleza e crescente investimento no Carnaval Paraense vêm movimentando um maior número de pessoas que a cada ano abrilhantam mais esta grande festa.Por fim, nós, integrantes do grupo de pesquisa, ficamos impressionados com a dedicação anual que o diretor e seus colaboradores fazem para ver o Rancho brilhando 2 horas na avenida no período do carnaval, cantando histórias desde sua germinação com seus enredos há 82 anos. O Rancho sem dúvida é um patrimônio cultura de relevância ao bairro do Jurunas, à cidade de Belém e ao estado do Pará. 

    Foi nesse contexto histórico que a Escola foi fundada e visto que nesse ano de 2016 - ano dos 400 anos de Belém - o desfile das Escolas de Samba foi em homenagem a nossa cidade que o grupo ''Jovem de Pesquisa em Patrimônio Cultural do DPHAC/SECULT-PA'' escolheu e fez uma visitação na sede do Rancho, conheceu e entrevistou o presidente, o Sr. Jango, e com muita objetividade, ele respondeu a todas as perguntas do grupo.


                                                         Foto: Raimundo do Carmo


                                                                   Foto: Daniel Miranda

     A pesquisa foi feita em dupla e cada estudante tinha direito a fazer uma pergunta para o Sr. Jango, dentre elas encontra-se a pergunta da aluna Karoline Veloso: “- Sr. Vidal, há algum critério para selecionar os brincantes e suas passistas como, por exemplo, a porta bandeira? Se houver, eu gostaria de saber quais são.”; ele respondeu: ''Não existe nenhum critério para os brincantes, eles podem ser de todas as idades e, inclusive, de outros bairros de Belém, mas no caso da porta bandeira, ela tem que ser necessariamente do bairro do Jurunas [...].”.



Foto: Danilo Nery


Texto produzido por: Danilo Nery e Karoline Veloso

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

1ª Atividade Externa: Circulando pelo Roteiro Geo-Turístico

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Concentração do público para o Roteiro Geo-Turístico. Museu Forte do Presépio - Belém/PA.


        A primeira atividade externa do grupo foi marcada para a 10ª edição do Projeto Circular Campina – Cidade Velha realizado no dia 17 de Janeiro. O grupo percorreu grande parte do Centro Histórico de Belém sob a mediação do Roteiros Geo-Turísticos, Projeto de Extensão da Faculdade de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará. Coordenado pela Profª Dra. Maria Goretti Tavares, tem como objetivo, implementar ações voltadas para práticas de turismo histórico, cultural e patrimonial que incentivam o olhar sobre a memória sócio-espacial da cidade Belém.
 
Grupo Jovem de Pesquisa em Patrimônio Cultural – DPHAC/SECULT no Roteiro Geo-Turistico. Feira do Açaí - Belém/PA.
           As sensações e experiências que se seguiram durante o roteiro, demonstram a importância de iniciativas que promovam a mobilização social com o objetivo da apreciação de nosso patrimônio. O grupo segue com atividades e participações em ações culturais, venha participar do Grupo Jovem de Pesquisa em Patrimônio Cultural. Estamos com edital aberto até 19 de fevereiro! Mande uma mensagem para jovempatrimonio@gmail.com que encaminharemos as informações.
 
          Rua Siqueira Mendes, esquina com Travessa Félix Roque. Em detalhe, Casa Rosada - Belém/PA.



                 Vista da Ladeira do Castelo. Ao fundo, Museu Forte do Presépio e Espaço Cultural Casa das Onze Janelas - Belém/PA



Igreja de Nossa Senhora do Carmo - Nave Central e Altar-mor. Belém/PA.






Grupo Jovem de Pesquisa em Patrimônio Cultural - Escadarias do Museu de Arte de Belém - Palácio Antônio Lemos - Belém/PA.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Percorrendo Belém: São José Liberto

A cidade de Belém possui um vasto patrimônio material arquitetônico, que representam diversos contextos históricos do passado e que por meio deles, é possível compreender a história da cidade. Dessa forma, iremos conhecer, de forma breve, um pouco da história do que hoje conhecemos como São José Liberto, que nele está inserido o Museu de Gemas e a Casa do Artesão.

Para entender o Museu de Gemas, é importante saber que o local ainda é conhecido como São José. Possui diversas camadas históricas, com diversos contextos e funções ao longo do tempo. Para ser o que é hoje, o espaço passou por diversas etapas em um longo processo de mudanças, não apenas na sua utilização, mas nas construções de significados que recebeu.

Com o falecimento do 13° Capitão-Mor em 15 de maio de 1697, foi deixado um testamento para os frades da Piedade com os seus bens. Entre eles, um terreno que estava construída uma ermida (capela pequena situada em local afastado da cidade). Com a posse dos frades sobre a terra em 1749, se inicia a construção do convento, sua função inicial até a expulsão dos religiosos de Belém.

Em 1758 os frades foram expulsos e o convento passou à administração do governo. Passou a ser deposito de pólvora, depois um quartel que abrigou um exercito de pedestres, que podemos entender como uma guarda de patrulha. Posteriormente um esquadrão da cavalaria. Também funcionou como olaria, que forneceu material para as construções da época. É possível visualizar o local do antigo forno dentro do Museu de Gemas, porém não existe nada comprovado de que o que se chama de antigo forno, realmente seja o mesmo enquanto o espaço funcionou como olaria.

Em 1835, durante a Cabanagem, o São José foi utilizado como hospital em razão da epidemia de varíola que ocorria em Belém. Foi somente em 1843 que se deu inicio a função mais duradoura, começava os primeiros contornos de cadeia publica e em 1943 de presidio que durou até 1998 com uma grande rebelião dos detentos.

Durante 128 anos, o São José funcionou como cadeia pública com a função de abrigar os que cometiam crimes. Foi o período mais turbulento, com grandes crises carcerárias e rebeliões que faziam parte do cotidiano da sociedade, principalmente ao longo dos anos de 1990. Terminado dessa forma com um grande motim em 1998. Com a desativação do presidio, foi iniciada a nova e atual fase do prédio, o Polo Joalheiro que se tornou uma grande referencia cultural, turística e econômica, por ser uma grande casa de vendas de joias artesanais do Estado do Pará.

Entretanto, ainda é possível identificar rastros do período enquanto presídio, como as salas hoje ocupadas para venda, em que as grades lembram as celas. A mais significativa é a cela cinzeiro, um pequeno espaço que foi utilizado entre os anos de 1950 e 1970 para isolamento dos presos.

Com um breve histórico, está aberto o convite para conhecer mais sobre o Espaço São José Liberto e a história da cidade de Belém.

Referências:
Histórico do Espaço São José Liberto. Disponível em:
<http://espacosaojoseliberto.blogspot.com.br/> Acessado em 21 de janeiro de 2016. 


COELHO, Alan Watrin. São José Liberto, Joias e Artesanato do Pará. Pesquisa histórica acerca do Presídio São José. Belém. 2002

Fotos: arquivo pessoal


Espaço São José Liberto
Jardim da liberdade: local de tensão durante os anos de presídio e que hoje faz referencia  a beleza do espaço. 

Cela "cinzeiro" guarda objetos utilizados para punição e a foto do assaltante de bancos José Augusto Viana David que marcou a ultima rebelião no Presidio. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Impressões

Após a posse e consolidação do Grupo de Pesquisa do DPHAC, fomos levados a uma rica e detalhada visita monitorada no Museu do Estado do Pará – MEP. Na visita técnica foi possível perceber o valor histórico e memorial que o monumento possui, em muitas vezes por falta de um olhar atento não percebemos tamanho valor.

Ao pensar no Museu do Estado do Pará logo somos levados a observar a arquitetura, nas grandes colunas e na influência artística que recebeu para ser construído. Entretanto, o prédio histórico guarda minucias do passado, de uma cultura, de uma mentalidade e de valores do tempo passado. Podem parecer curiosidades da história, mas são objetos de estudo de grande importância.

É o que podemos ver na namoradeira, objeto que integra o museu (FOTO 1). A namoradeira, como o nome já sugere, era situada na sala da casa onde o casal deveria namorar. No suporte era colocada uma vela que necessitava de alguém para “segurar” a vela, vigiando o casal durante o namoro. Está aí a origem do ditado popular que conhecemos e que parece tão natural: “estou segurando a vela de vocês”.

Outro objeto é a escrivaninha e que muito chama a atenção pela sofisticação na produção, que mostra um belo acabamento em madeira e mostrando o trabalho artístico minucioso e de um impressionante preparo em sua confecção. São dois pequenos exemplos que refletem muito mais do que podemos imaginar que o Museu do Estado do Pará guarda em seu interior.


Foi possível compreender alguns valores e comportamentos do âmbito social paraense no século XIX, analisando através de objetos que aparentemente não dizem nada, mas que refletem aspectos da mentalidade paraense do período o que gera movimento nas relações culturais entre ambos e provando a sua extrema interação. 

FOTO 1




FOTO 2